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O que acontece na primeira sessão de terapia?

carolinapinafrias
22 de jun.
4 min de leitura

O que acontece na primeira sessão de terapia?


Iniciar a terapia pode despertar dúvidas e até uma certa ansiedade. Muitas pessoas se perguntam como será a primeira sessão e se existe uma forma “certa” de começar. Essa preocupação é bastante comum, especialmente quando envolve falar sobre aspectos pessoais ou emoções mais delicadas.


A primeira sessão é, acima de tudo, um espaço de acolhimento. É um momento em que o paciente pode começar a se expressar no seu próprio ritmo, sendo escutado com atenção e cuidado, e, aos poucos, vai se construindo uma relação de confiança com o psicólogo, o que torna o processo mais seguro e confortável.


Mais do que saber exatamente o que dizer, o essencial é se sentir minimamente à vontade para dar esse primeiro passo. A terapia acontece gradualmente, respeitando o seu tempo, e o primeiro contato é apenas o início de um caminho de autoconhecimento e cuidado consigo.


Por que a primeira sessão pode gerar insegurança?


A insegurança diante da primeira sessão de terapia pode estar relacionada ao fato de que esse é, para muitas pessoas, um espaço novo e pouco familiar. Diferente de outras conversas do dia a dia, a psicoterapia envolve um olhar mais atento para os próprios pensamentos, sentimentos e formas de lidar com as situações.


Além disso, é comum que exista uma tendência a evitar o contato com sentimentos mais desconfortáveis. Esse movimento é natural e faz parte das formas que cada pessoa desenvolve para se proteger ao longo da vida, podendo tornar esse momento mais desafiador.


Outro aspecto importante é a presença de expectativas internas, como a ideia de precisar se explicar bem ou de organizar tudo o que está sentindo. Com o tempo, esse espaço tende a se tornar mais acolhedor, mostrando que não é necessário ter as coisas claras desde o início e que tudo pode ser construído aos poucos.


Explicação psicológica


Do ponto de vista psicológico, a primeira sessão de terapia ajuda a organizar aquilo que, muitas vezes, está confuso internamente. É comum que a pessoa já esteja lidando com pensamentos repetitivos, preocupações ou emoções intensas, sem conseguir entender exatamente por que isso está acontecendo ou como lidar com isso.


Nesse início, o psicólogo costuma fazer algumas perguntas para compreender melhor a história e o momento atual do paciente. Por exemplo, o que motivou a busca por terapia, quando as dificuldades começaram, como elas têm afetado o dia a dia, além de aspectos importantes da vida, como relações, trabalho ou estudos. 


Na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), também é comum explorar situações recentes para entender o que passou pela mente naquele momento, como se sentiu e como reagiu. Isso ajuda a trazer mais clareza sobre o funcionamento emocional e a identificar padrões que podem estar mantendo o sofrimento.


Orientações práticas


Se você está pensando em iniciar a terapia, um bom ponto de partida é levar aquilo que tem chamado sua atenção nos últimos tempos. Pode ser uma situação específica, um incômodo recorrente ou até uma sensação difícil de explicar.


Caso faça sentido, você pode anotar antes da sessão alguns pontos que gostaria de abordar. Isso pode ajudar a organizar as ideias e tornar o momento mais tranquilo, mas não é necessário seguir uma ordem ou ter tudo estruturado.


Também é importante compreender que o início pode trazer certa hesitação. Observar como você se sente ao longo dos primeiros encontros, especialmente em relação à escuta e à forma como se sente com o profissional, faz parte da construção de um acompanhamento terapêutico consistente.


Quando procurar ajuda profissional?


Buscar terapia pode ser importante quando aquilo que você está vivendo começa a gerar sofrimento frequente ou impactar o seu dia a dia. Isso pode aparecer na forma de ansiedade constante, tristeza ou irritação persistente, dificuldade de concentração, cansaço emocional ou até uma sensação de estar perdido ou sem direção.


Também é válido considerar apoio psicológico quando há mudanças importantes, como términos, perdas, transições de vida ou momentos de maior instabilidade emocional. Mesmo quando não há uma “causa clara”, o incômodo já é um sinal relevante.


De modo geral, não é necessário esperar que a situação se agrave para procurar ajuda. A terapia pode ser um espaço de compreensão, organização e desenvolvimento de novas formas de lidar com o que se está vivendo.


Se, ao longo da leitura, você se identificou com algumas dessas situações, talvez seja um bom momento para olhar com mais atenção para o que você tem vivido. Nem sempre é fácil reconhecer quando precisamos de apoio, mas esse já pode ser um passo importante.


A terapia é um espaço de escuta, compreensão e construção de novas formas de lidar com as próprias experiências. Com o tempo, esse processo pode trazer mais clareza, equilíbrio e segurança emocional no dia a dia.


Meu nome é Carolina, sou psicóloga clínica, e realizo atendimentos para crianças, adolescentes e jovens adultos, de forma presencial no Rio de Janeiro (Barra da Tijuca e Freguesia) e também de forma online.


Se fizer sentido para você, pode entrar em contato para tirar dúvidas ou agendar uma primeira consulta! Estou à disposição para te orientar nesse processo.


Referências


American Psychological Association. (2023).


Flückiger, C., Del Re, A. C., Wampold, B. E., & Horvath, A. O. (2023). The alliance in adult psychotherapy: A meta-analytic synthesis. Psychotherapy.





 
 
 

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